Por que grupos do mundo inteiro escolhem vir e voltar a Nova Petrópolis?

Acolhimento, amizades, organização e intercâmbio cultural fazem do Festival Internacional de Folclore um destino permanente na agenda dos grupos

Fotos: Vini Martins/Marcelo Farinha/Sabrina Schuster/Mauro Stoffel

Em um cenário onde festivais culturais acontecem em diferentes partes do mundo, poucos conseguem um feito tão significativo quanto transformar visitantes em participantes recorrentes. Em Nova Petrópolis, essa história se repete ano após ano. Há grupos que percorrem milhares de quilômetros e retornam ao Festival Internacional de Folclore há mais de uma década, movidos por algo que vai muito além das apresentações no palco.

Mais do que um evento, o festival se consolidou como um espaço de convivência entre culturas, onde artistas criam vínculos, compartilham tradições e encontram uma comunidade que os recebe como parte da cidade. É o caso do grupo chileno Takina I Te Ahi, presença constante no evento. Para o coordenador geral Jonathan Morales, Nova Petrópolis tornou-se uma referência internacional. "Para nós, é um palco muito importante. É um festival com uma longa história e perfeito em todos os sentidos. Pela organização, tornou-se um festival modelo que apresentamos aos novos integrantes do grupo. E nós, que já participamos há tantos anos, também adoramos voltar."

Entre tantos festivais ao redor do mundo, Jonathan afirma que existe um motivo especial para retornar ao Brasil. "Voltamos por causa das pessoas de Nova Petrópolis. O carinho e o acolhimento fazem com que nos sintamos sempre bem-vindos. A cada edição somos recebidos como se fosse a primeira vez."

Mas é fora do palco que muitas das lembranças mais marcantes são construídas. Nos momentos de convivência entre as apresentações, artistas de diferentes países compartilham refeições, experiências e tradições. Mesmo sem falar o mesmo idioma, a dança e a cultura aproximam as pessoas. E, é por isso que as Oficinas Mãos, Passos e Panelas da Diversidade são realizadas. 

A mesma percepção é compartilhada pelo Grupo Sarandeiros, de Minas Gerais, que participa do Festival Internacional de Folclore desde 2010. Segundo o coordenador Gustavo Côrtes, o grande diferencial do evento está em sua essência. "É um festival acolhedor, de amizade e não competitivo. Todos estão aqui para apresentar a cultura de seus estados e de seus países, celebrando a diversidade, a tolerância e a paz. Isso faz toda a diferença."

Ao longo de quase dez participações, inúmeros momentos ficaram na memória do grupo mineiro. Os aplausos do público após cada espetáculo, as oficinas culturais e o tradicional Panelas da Diversidade são lembrados como experiências que vão muito além das apresentações.

Uma das recordações mais curiosas aconteceu em um rigoroso inverno gaúcho. "Já dançamos com o palco coberto de geada, apresentando coreografias do Boi-Bumbá, e o público permaneceu ali, firme, nos aplaudindo. Aquilo nos deu ainda mais energia para dançar."

A relação construída ao longo dos anos também gerou amizades permanentes. Integrantes da organização, monitores, fotógrafos e moradores passaram a fazer parte da história do grupo. "Essa amizade se torna eterna. Sentimos um reconhecimento verdadeiro pelo nosso trabalho e também admiramos profundamente o trabalho de quem constrói esse festival. É isso que nos faz voltar para casa com lembranças tão especiais."

Para grupos brasileiros e estrangeiros, participar do Festival Internacional de Folclore significa representar suas culturas, mas também conhecer novas tradições, compartilhar experiências e criar conexões que permanecem muito depois do encerramento da programação.

Esse intercâmbio transforma Nova Petrópolis em um ponto de encontro entre diferentes povos e faz com que muitos artistas retornem repetidas vezes, levando consigo não apenas fotografias e apresentações memoráveis, mas amizades construídas ao longo de décadas.

É por isso que o Festival Internacional de Folclore continua reunindo grupos de diferentes continentes. Porque quem chega para apresentar sua cultura acaba descobrindo algo ainda mais valioso: uma comunidade que acolhe, um público que reconhece seu trabalho e uma cidade que faz cada visitante sentir-se em casa. 

Como resume Jonathan Morales, do Chile: "Para nós, Nova Petrópolis é a nossa segunda casa. Sentimos que conhecemos a cidade tão bem que poderíamos passar por moradores locais."

Galeria de imagens

Comentários