Cooperativas Escolares aproximam estudantes do cooperativismo em 43 escolas do Vale do Sinos à Serra Gaúcha

Programa da Sicredi Pioneira está presente em 17 municípios

Fotos: Mauro Stoffel

Mais do que apresentar os princípios do cooperativismo, o programa Cooperativas Escolares permite que crianças e adolescentes os coloquem em prática. Na área de atuação da Sicredi Pioneira, já são mais de 43 cooperativas escolares formadas a partir da iniciativa, que utiliza a educação como caminho para desenvolver o protagonismo dos estudantes e fortalecer a participação nas comunidades. Em 2026, a atividade reúne 295 jovens de escolas públicas e privadas, envolvendo 43 professores orientadores.

As cooperativas escolares são formadas voluntariamente pelos alunos, com orientação de um professor, e funcionam no contraturno escolar. A partir da criação e gestão das próprias cooperativas, os estudantes participam de assembleias, organizam atividades, desenvolvem produtos e serviços e buscam soluções para necessidades identificadas na escola ou na comunidade. A experiência proporcionada pelo programa transforma conceitos como colaboração, democracia e responsabilidade em situações concretas do cotidiano.

De acordo com a gerente de Atuação Social e Educacional da Sicredi Pioneira, Alini Cossul Martinelli, trabalhar esses valores na jornada escolar contribui para que eles sejam incorporados à maneira como os estudantes se relacionam com outras pessoas e com o lugar onde vivem. “É na escola que muitos valores e atitudes são construídos. Ao vivenciar o cooperativismo desde cedo, os estudantes aprendem sobre colaboração, responsabilidade, participação democrática, respeito às diferenças e compromisso com o bem comum. Essas experiências contribuem para a formação de cidadãos mais conscientes e engajados com a comunidade”, explica.

Aprender fazendo

A metodologia utilizada pelo programa, chamada Cooperlândia, foi desenvolvida para oferecer uma experiência prática e lúdica do funcionamento de uma cooperativa. Nela, os estudantes assumem diferentes responsabilidades e participam das decisões, reproduzindo, no ambiente escolar, estruturas e processos presentes em uma cooperativa real. Dessa forma, os alunos são incentivados a identificar necessidades e desenvolver soluções para a comunidade, em uma proposta que também envolve reflexão sobre desafios, ética, sustentabilidade e responsabilidade social.

Segundo a assessora de Programas Sociais e Educacionais da Sicredi Pioneira, Gabriela Riboli, a experiência ajuda a formar estudantes mais atentos ao papel que podem exercer nos espaços dos quais fazem parte. “Isso se traduz quando eles veem alguma demanda dentro da escola, da comunidade, e aí se colocam no papel de protagonistas. Ao invés de apenas observar, eles passam a pensar de forma coletiva sobre como potencializar aquele espaço ou até mesmo resolver um problema juntos”, afirma.

Ela explica que, além da capacidade de identificar problemas e buscar soluções coletivas, a participação nas cooperativas contribui para o desenvolvimento de habilidades como liderança, comunicação, organização, trabalho em equipe e tomada de decisões. “São aprendizagens que ultrapassam o espaço da escola e podem acompanhar os estudantes em diferentes momentos da vida”, complementa.

Protagonismo que se leva para a comunidade

Essa transformação pode ser percebida no comportamento dos próprios estudantes. Na Cooperativa Escolar Schisoucoop, da EMEF Padre João Schiavo, de Caxias do Sul, a estudante Bárbara Andreola Bonatto conta que a participação no programa mudou sua forma de se relacionar com os colegas. “Eu era sempre muito falante, só que eu acabava falando muito e não ouvindo os outros. Com a cooperativa, eu tô conseguindo falar e ouvir”, relata. Para ela, a convivência com os demais integrantes também ampliou a percepção sobre a importância de aprender com outras pessoas.

Já na Cooper Klein, da EMEF Felipe Jacob Klein, de Vale Real, os efeitos são semelhantes. Conforme a professora orientadora Eduarda Correa Boz, muitos dos alunos que fazem parte da cooperativa exercem funções de liderança nas turmas e demonstram disposição para colaborar com outros colegas. “Eu percebo também nas redes sociais, alguns alunos já vieram com várias ideias para nosso podcast. Eu acredito que a cooperativa faz eles pensarem além, pensarem fora da caixa e serem protagonistas”, destaca.

Para Alini, esse desenvolvimento está diretamente relacionado à possibilidade de os jovens experimentarem, ainda na escola, formas de participação que podem ser levadas para outros espaços. “A participação em uma cooperativa escolar permite que os estudantes desenvolvam competências para a vida. Além disso, aprendem a tomar decisões coletivas, exercer a cidadania e compreender que, por meio da cooperação, é possível encontrar soluções para desafios comuns e gerar impactos positivos para todos”, salienta.

Educação como caminho para uma sociedade mais colaborativa

O programa Cooperativas Escolares integra uma série de iniciativas da Sicredi Pioneira na educação. A proposta é criar espaços para que crianças e adolescentes participem, decidam, criem e assumam responsabilidades, contribuindo para uma formação que vai além do conhecimento, abordando também a maneira como cada pessoa se relaciona com a coletividade.

“Trabalhamos junto com escolas e professores para criar oportunidades para que crianças e jovens vivenciem valores cooperativos na prática. Estimulamos o diálogo, a participação, a empatia e a construção coletiva de soluções, buscando contribuir para a formação de pessoas capazes de fortalecer relações de confiança e colaboração”, finaliza Alini.

Escolas interessadas em conhecer ou participar do programa Cooperativas Escolares podem entrar em contato com a Secretaria de Educação do seu município ou com a mantenedora da escola, que fará a conexão com a Sicredi Pioneira. Mais informações estão disponíveis em: sicredipioneira.com.br/social-e-educacional/cooperativas-escolares.

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