Entre Pais e Saberes promove reflexão sobre o impacto das telas no desenvolvimento infantil

Momento foi conduzido pela psicóloga Sofia Laís Knorst, especialista em Neuropsicologia e mestranda em Psicologia

Fotos: professora Amanda Utzig

Pais, mães e responsáveis participaram de um importante momento de diálogo e aprendizado durante mais uma edição do Entre Pais e Saberes, promovido pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SMEC) de Picada Café. O encontro, que aconteceu nessa quarta-feira, 08, no Espaço Sicredi Picada Café abordou o tema "Sintomas ou Superexposição? O impacto das telas no neurodesenvolvimento infantil", conduzido pela psicóloga Sofia Laís Knorst, especialista em Neuropsicologia e mestranda em Psicologia.

A palestra trouxe uma reflexão sobre os desafios da infância na era digital e os possíveis impactos do uso excessivo de telas no desenvolvimento cognitivo, emocional e social de crianças e adolescentes. A profissional destacou que sinais como irritabilidade, dificuldades de atenção, alterações na linguagem, problemas de interação social e baixa tolerância à frustração têm se tornado cada vez mais frequentes nos atendimentos clínicos e escolares, exigindo uma análise cuidadosa antes de qualquer diagnóstico.

Durante a apresentação, Sofia explicou que alguns comportamentos provocados pela hiperexposição às telas podem se assemelhar a sintomas de transtornos do neurodesenvolvimento, como o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Entretanto, ressaltou que comportamentos semelhantes não significam, necessariamente, a existência desses transtornos, reforçando a importância de avaliações multidisciplinares e criteriosas antes de qualquer diagnóstico ou medicalização.

Outro ponto abordado foi a necessidade de preservar experiências fundamentais para o desenvolvimento infantil, como as brincadeiras livres, o contato com a natureza, a interação familiar, o movimento corporal, a linguagem compartilhada e o convívio social. Segundo a palestrante, essas vivências são essenciais para o desenvolvimento saudável do cérebro e não podem ser substituídas pelas experiências digitais.

A psicóloga também apresentou evidências científicas que associam o uso excessivo de telas ao atraso no desenvolvimento infantil, alterações em áreas cerebrais relacionadas à linguagem e à alfabetização, além de impactos na atenção, no sono, na alimentação e na regulação emocional. O conteúdo ainda trouxe as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) sobre o tempo adequado de exposição às telas conforme cada faixa etária.

Encerrando o encontro, Sofia reforçou que o objetivo não é demonizar a tecnologia, mas buscar equilíbrio. Entre as principais orientações às famílias estão estabelecer limites para o uso de telas, evitar dispositivos eletrônicos durante as refeições e antes de dormir, incentivar brincadeiras ao ar livre, promover momentos de convivência familiar sem aparelhos eletrônicos e, principalmente, dar o exemplo por meio de um uso consciente da tecnologia.

A principal mensagem da palestra foi clara: o objetivo não é proibir a tecnologia, mas utilizá-la de forma consciente e equilibrada, preservando experiências essenciais para o desenvolvimento infantil, como brincar, conviver, explorar, conversar e aprender no mundo real.

A iniciativa integra o projeto Entre Pais e Saberes, desenvolvido pela SMEC, que busca fortalecer o vínculo entre escola e família por meio de encontros formativos sobre temas atuais e relevantes para a educação e o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes.

Orientações práticas para que as famílias promovam uma relação mais saudável com a tecnologia no dia a dia:

Estabeleça limites claros para o tempo diário de uso de celulares, tablets, computadores e televisão.

Evite o uso de telas durante as refeições, valorizando o diálogo e a convivência familiar.

Não permita o uso de dispositivos antes de dormir, pois a luz emitida pelas telas pode prejudicar a qualidade do sono.

Incentive brincadeiras livres, estimulando a criatividade, a imaginação e a autonomia das crianças.

Promova atividades ao ar livre, favorecendo o contato com a natureza e o desenvolvimento físico e emocional.

Priorize a interação presencial, fortalecendo os vínculos familiares e as amizades.

Acompanhe os conteúdos consumidos, conhecendo jogos, vídeos e redes sociais utilizados pelos filhos.

Dê o exemplo, adotando também hábitos saudáveis no uso da tecnologia.

Crie momentos em família sem celulares ou televisão, como passeios, jogos de mesa, leitura ou conversas.

Respeite as recomendações de tempo de tela para cada faixa etária, evitando a exposição precoce.

Tempo de tela recomendado:

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP):

Até 2 anos: nenhuma exposição às telas.

De 2 a 5 anos: até 1 hora por dia, sempre com supervisão e conteúdo de qualidade.

De 6 a 10 anos: entre 1 e 2 horas diárias, com acompanhamento dos responsáveis.

De 11 a 18 anos: entre 2 e 3 horas por dia, também com supervisão e incentivo ao equilíbrio entre atividades digitais e presenciais.

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