Acendimento da Chama Folclórica marca o início da 53ª edição do Festival Internacional de Folclore

Cerimônia simboliza a renovação da cultura, da amizade e da diversidade que unem povos em Nova Petrópolis

Fotos: Jei Heydt

A chama voltou a iluminar o Festival Internacional de Folclore. Na noite desta quinta-feira, 16 de julho, centenas de pessoas participaram da tradicional cerimônia de Acendimento da Chama Folclórica, realizada na Sociedade Alegria de Fazenda Pirajá, dando início às celebrações da 53ª edição do evento.

Organizada pelo Volkstanzgruppe Edelstein, da própria comunidade, a cerimônia reuniu moradores, autoridades, integrantes de grupos folclóricos e visitantes em um dos momentos mais simbólicos do festival. Muito mais do que um protocolo de abertura, o acendimento representa o despertar de um evento que, há mais de cinco décadas, promove o encontro entre culturas de diferentes partes do mundo.

A abertura da cerimônia foi conduzida pelo Volkstanzgruppe Edelstein, que reuniu todas as categorias do grupo em uma apresentação que retratou a força da família, a continuidade entre gerações e o simbolismo da cerejeira, elemento escolhido como identidade visual da edição de 2026.

Inspirado no tema "O despertar da cerejeira", a apresentação retratou a árvore como metáfora da própria trajetória humana e da preservação das tradições. Assim como a cerejeira floresce depois de enfrentar o inverno, cada geração é resultado de uma longa caminhada construída por aqueles que vieram antes. As raízes representaram as origens, o tronco simbolizou a formação das pessoas, os galhos retrataram a comunidade e as folhas representaram os valores cultivados ao longo da vida.

Ao final da apresentação, a Chama Folclórica foi acesa como símbolo da união entre gerações e da renovação do compromisso com os valores humanos que sustentam o Festival Internacional de Folclore.  

As Soberanas do Folclore Alemão, Rainha Jéssica Fernanda Schaab, 1ª Princesa Olívia Nienow e a 2ª Princesa Ketrin Ananda Kich, destacaram que a Chama ultrapassa seu significado material. "Essa Chama brilhará nos olhos de todos que passarem pelo nosso evento. Seu significado vai muito além do que os olhos podem ver. Ela vive no entusiasmo de quem chega e na emoção de quem sobe ao palco. Aquece o coração de todos que acreditam que a cultura tem o poder de aproximar pessoas. Aqui, as fronteiras desaparecem."

A tradição foi incorporada ao Festival Internacional de Folclore em 2011 por iniciativa de Fábio Guaragni e Gaudêncio Terra, mas logo abraçada pelo coletivo, que buscavam criar um símbolo capaz de fortalecer o vínculo emocional entre as pessoas e o evento. Segundo Guaragni, a inspiração veio de outras grandes cerimônias que utilizam o fogo como elemento simbólico, como a Chama Crioula, o Fogo da Pátria e a Chama Olímpica. "Como não existia uma Chama Folclórica, entendemos que Nova Petrópolis poderia ser pioneira em criar um símbolo que representasse o folclore. O fogo, por natureza, já carrega um forte significado de união e pertencimento."

Para Guaragni, a Chama traduz tudo aquilo que também está presente no palco durante o festival. "Ela tem movimento, calor, cor e luz. Assim como os dançarinos, a chama também precisa ser cuidada para permanecer viva. Ela acompanha o festival durante todos os dias e, quando o festival adormece, ela também adormece, aguardando ser reacesa no ano seguinte."

Mais do que um elemento cênico, a Chama Folclórica foi criada para despertar sentimentos. "Quando existe emoção, tudo ganha mais significado. A Chama nasce, é cuidada durante todo o evento e depois se extingue, lembrando que também precisamos cuidar de nós mesmos para continuarmos levando adiante a cultura e as tradições."

Ao longo dos anos, o ritual tornou-se um dos momentos mais aguardados pelo público. Para seu idealizador, essa incorporação aconteceu de forma espontânea. "Desde a primeira edição, nunca mais se questionou se a Chama voltaria. Hoje, quando se fala em Festival Internacional de Folclore, as pessoas perguntam onde e quando será o acendimento. Ela encontrou naturalmente o seu espaço e passou a fazer parte da identidade do festival."

O simbolismo da Chama Folclórica também dialoga diretamente com os valores que norteiam o evento. Presente em todas as culturas, o fogo representa acolhimento, convivência e transformação. Seu calor remete ao calor humano, enquanto sua presença universal aproxima povos de diferentes origens, reforçando a essência do Festival Internacional de Folclore: celebrar a amizade, a diversidade e o respeito entre culturas. 

Para Fábio Guaragni, assistir ao acendimento todos os anos continua sendo um momento de profunda emoção. "Quando vejo a Chama sendo acesa novamente, sinto esperança. É como se ela renovasse o coração de todos que fazem cultura. Ela nos lembra que esse trabalho precisa continuar vivo e que o festival se renova a cada edição."

Mantida acesa durante toda a programação, a Chama Folclórica acompanhará os 18 dias do Festival Internacional de Folclore, simbolizando a força das tradições, o encontro entre diferentes povos e a renovação permanente da cultura. A extinção da Chama ocorrerá apenas na cerimônia de encerramento, no dia 2 de agosto, finalizando mais um capítulo de uma história construída por milhares de pessoas que acreditam que a diversidade, quando compartilhada, torna o mundo mais próximo.

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